sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Cap. 7 - O beijo e a primeira decepção
Passaram-se alguns dias, era começo de setembro, o sol se abriu e o dia todo foi quente. A professora de matemática faltou por motivos médicos, e a turma das garotas foi liberada cedo.
O trio não queria voltar pra casa, queria conversar com a rainha. Dry também não queria entrar em casa para conversar, tava quente e sua mãe estava em casa. O trio se reuniu numa lanchonete com bancos de quatro cadeiras. Ficaram batendo papo ali por bastante tempo. Estavam planejando um dia para sair para comprar os vestidos que cada uma iria usar na tal festa. Marcaram de ir ao final de semana perto da festa. Após sair da lanchonete, Vanessa e Chris iam pela mesma rua à direção de casa, enquanto Dry andava numa rua que à tarde era sempre calma. Em seus passos, olhando para frente, avistou um rapaz muito parecido com Charlie. Seu coração bateu rápido, mas não tinha certeza se era Charlie mesmo. Mais alguns passos e ela confirmou: era Charlie com uma latinha de refrigerante à mão.
Com mais ou menos um metro de distancia, Charlie disse:
- Que surpresa mais agradável - sorriu.
- Acho que digo o mesmo - sorriu Dry.
- Ta perdida por aqui? Nunca te vi andar nessa rua! – desviou o olhar para baixo e sorriu – brincadeira! - encostou o ombro na parede da calçada.
- Não to perdida - Dry forçou um riso - é que eu estava voltando de um lugar com as minhas amigas, por isso peguei esse caminho.
Charlie escutou as palavras de Dry em silêncio e assentiu com a cabeça. Tratou-se de dizer o que já estava à mente.
- Pensei que não ia conseguir falar contigo na hora da saída... mas aí achei você aqui. Quer um pouco? - ofereceu seu refrigerante.
- Vou aceitar - pegou a latinha da mão de Charlie, bebeu um gole, e o devolveu - eu sei que você já não vive mais passando um dia sem falar comigo.
- Concordo – disse Charlie firmemente – Por que eu iria evitar você?
- Não sei. Talvez você não me conheça direito a ponto de não me evitar.
- Talvez eu só esteja fazendo o que todos não fizeram. Para evitarmos, precisamos conhecer bem, não acha?
Dry olhou fixamente para Charlie. Por que às vezes parecia que Charlie tinha as respostas na ponta da língua?
- Acho que concordo com você. Mas isso não te torna único – Dry sorria maliciosamente.
- Então me considere corajoso.
- O.k. Sr. Corajoso... um dia tento entender porque você gosta tanto de falar comigo
- Não vai ser difícil. Mas suponhamos que daqui alguns dias você mude de idéia... eu sei que você me ama. De corajoso vou ser único, certo?
- Eu não te amo! – Dry se revoltava a cada vez que escutava essas palavras – Na verdade... você me ama por falar isso!
- Mas eu te amo, e admito!
- Ama nada! Você não presta - olhou com seu olhar endiabrado para os olhos de Charlie.
- Eu não presto? – Charlie ria sinicamente - Que mentira Dry, só você que pensa isso!
- Só eu? Todo mundo pode ver isso, a diferença é que eu falo na cara.
- HAHA, nossa! Dry eu não sou, sério – Charlie continuava a sorrir sinicamente. Olhava para ao seu redor enquanto sorria.
- Suas tietes não falam isso porque são da mesma laia - Dry esticou a mão para bagunçar o cabelo de Charlie - não te perturbam,não falam a verdade, só sabem babar por você.
Charlie afastou o rosto um pouco para trás quando Dry bagunçava seus finos fios de cabelo. Quando as mãos de Dry voltaram ao lugar.
- Mas realmente, ninguém é tão... digamos... sincera, assim comigo.
- Eu sei disso. Você sabe que eu gosto de ser a única, né?
- Concerteza.
- Posso dizer que está no caminho certo.
Charlie estava perto demais de Dry. No fundo, Dry queria Charlie. Falava mal do rapaz, mas estava curiosa em saber o que todas as garotas idolatravam. A cena estava propícia de um beijo. O que fazer Dry? Deixar-se levar pela curiosidade de seus sentimentos ou simplesmente pelo seu lado mais cético?
- Posso fazer algo Charlie? – Dry perguntou. A moça perguntou num tom de voz vulnerável, como se qualquer pessoa poderia enxergar sua vergonha.
- Pode – respondeu Charlie, fitando Dry.
Dry aproximou seu rosto no de Charlie, colocou suas duas mãos nas bochechas do rapaz e deu um leve selinho. Após isso, se encontrou em choque e envergonhada. Seu rosto se tornou vermelho, não sabia se continuava a olhar Charlie ou se simplesmente olhava para o chão. Queria poder sumir daquela situação num estalar de dedos. O silêncio foi quebrado quando Charlie perguntou:
- Só um?
- Ué! Por quê? Você queria mais? – Dry se sentiu um pouco mais aliviada. Não era o que esperava ouvir, mas serviu para quebrar o gelo.
- O que você acha?
E Charlie aproximou o rosto no de Dry, puxou seus lábios com sua boca e em seguida emendou num beijo. Dry sentiu seu coração bater mais rápido, poderia dizer que seu coração estava perto demais da pele. Depois do choque, abraçou Charlie e continuo com o beijo. Charlie tentava segurar a latinha no seu abraço com Dry.
Os dois ficaram ali naquela rua aos beijos e carícias por um tempo. O beijo foi terminado, Dry e Charlie se olharam. Um breve silêncio prevaleceu, mas Dry prosseguiu:
- Eu tenho que ir agora - disse Dry meio constrangida, se afastando um pouco de Charlie.
- Já? - respondeu Charlie envergonhado também.
- Aham. Até amanhã Charlie - disse Dry dando passos por trás de Charlie.
- Tchau - disse o rapaz enquanto olhava Dry andar.
Dry andava com passos longos até sua casa. Chegando lá, ela largou a bolsa na sala como de costume e se atirou na cama. Estava paralisada. Alguns minutos depois ela começara a rir e seu rosto corar. Estava tão empolgada e feliz que pegou o telefone e ligou para Vanessa. Contou para a amiga toda cena que teve na rua com Charlie e não cansou de repetir o efeito do beijo do rapaz. Acabando a ligação de meia hora com Vanessa, Dry repetiu tudo ao ligar para Chris. Depois das duas ligações de meia hora, Dry sentou em seu sofá com os pés emcima. Sorria e não parava de lembrar-se da cena. A rainha do gelo parecia mais a rainha do verão, ou da primavera... menos do gelo. Pensou que a partir desse dia, seu relacionamento com Charlie iria mudar muito. Tinha se esquecido de como Charlie era e todas as coisas que tinha em mente quando era racional.
No dia seguinte no colégio, Dry estava sem o mínimo de sono, estava com o rosto radiante, mexia nos cabelos com freqüência e estava sorridente para as amigas. A rotina de Dry era a mesma todos os dias: nos intervalos sempre dava um jeito de ter uma conversa com Charlie, se não conseguisse, papeava com ele depois das aulas. Era quase a mesma coisa todas às vezes: conversavam e se beijavam e o casal sempre fingia que nada acontecia no dia seguinte. Eles não se consideravam ficantes, mas sim amigos que por acaso tinha oportunidade de beijo.
Chegou uma sexta-feira, e estava Dry e Charlie numa rua, logo depois das aulas. Os dois conversavam sobre o que faziam em casa, sobre provas, entre outras coisas. Dry estava com os braços em volta do pescoço de Charlie, mas não estavam bem abraçados. Trocavam beijos e algumas conversas sobre o colégio. Num momento sem assunto Charlie começou brincando:
-... eu sei que você me ama Dry, você só não admite isso – Charlie encostava seu rosto ao ombro de Dry
- Como você ADORA falar nisso. Eu não te amo, eu hein!
- Eu só sou realista! – Charlie ergueu seu rosto diante par ao de Dry.
- Não vi nada de realista no que você disse.
Charlie apenas olhava Dry.
- Vamos inverter isso, você gosta de mim? – Dry fez questão de não perder o olhar de Charlie a cada segundo.
- Eu ia dizer isso agora, mas antes admita que me ama.
- Tá, tá, tá bom! Eu te amo - olhou para o lado, revirando os olhos.
Charlie começou a rir da atitude de Dry, e disse:
- Eu te amo, Dry – Charlie esticou suas mãos até a cintura da moça.
- Ama quanto? - olhava com seu olhar endiabrado
- Bastante. Je t'aime beacoup aussi. - tentou Charlie, falar francês. Aproximou-se mais do rosto de Dry, e lhe deu um beijo.
Dry sorriu e retribuía o beijo. Não entendera muito bem o que Charlie disse nessa confusa pronúncia e disse:
- Ham?
- Não lembro se é assim! Desculpa meu mau francês - começou a rir.
O casal estava abraçado naquela rua e o sol brilhava nos cabelos castanhos de Dry e Charlie. Sempre ficavam sem palavras, era espantoso pensar, mas Charlie às vezes se envergonhava. Parece que todos possuem um segredo ou um ponto fraco, até o Sr. Hollywood.
- Eu te amo, você me ama – continuo Dry - que coisa mais meiga, não acha? – dizia num tom sarcástico - e agora?
- Agora a gente se ama pra sempre - olhou com seu olhar galanteador, e começou a rir.
- Se fosse depender do seu amor, preferiria investir na proteção à camada de Ozônio, aliás, não sei como alguém pode te amar... chato.
- Tão chato que chego a ser agradável - e lhe deu um selinho, logo após, um grande beijo.
Nos intervalos dos beijos Dry disse:
- Sabia que eu gosto de ser a única ou eu já disse isso?
- Sei sim - retribuia seu beijo. – e você já disse isso, sou seu único chato e não diga que não.
Dry sorriu. Empurrou para trás os cabelos de Charlie. Algo no seu interior pedia para ser compartilhado, algo estava fora dos plabos
- Eu gosto de você - disse Dry, olhando para Charlie, com os rostos perto um do outro.
- Eu também gosto muito de você, Dry - olhava o rosto de Dry desde os olhos até a boca.
Dry começou a pegar lentamente nos cabelos de Charlie, e fazia carinho em sua nuca.
- Gosta... como eu gosto? - apoiou a cabeça no ombro direito de Charlie.
- E como você gosta? - disse Charlie, segurando-a ainda em seus braços.
- Gostar... mais que amigos...
- Eu também gosto, Dry... - disse Charlie, olhando para frente.
- Nem parece - disse bem baixinho, enquanto levantava o rosto e se afastara um pouco de Charlie - eu tenho que ir agora.
- Não parece? - disse Charlie meio sério.
- Não - deu um sorriso amarelo - eu to envergonhada.
- Ah que isso, Dry - disse Charlie enquanto segurava na mão direita de Dry.
- Você quer ser só meu amigo, né? –
- Não, Dry. Eu gosto muito de estar com você - olhou para baixo e voltou olhar para Dry - eu só não quero assumir um compromisso sério.
- O.k... até amanhã - disse se afastando de Charlie, enquanto sua mão deslizasse das dos dedos de Charlie lentamente.
O silêncio foi às palavras de Charlie, enquanto a olhava Dry de costas indo pela rua.
Chegando em casa , Dry se atirou em sua cama, pondo a almofada na cara. Não estava a ponto de chorar, mas estava muito decepcionada.
- NÃO ACREDITO! – gritava repetitivamente Dry, atirando tudo que via pela frente - Será que eu perdi a cabeça ou algo?!
Apesar de ter sentido algo por Charlie, seus sentimentos voltaram a estaca zero. Seu coração estava gelado de novo, não chorava, nem estava triste, só estava chateada por ter se desviado de seus pensamentos em relação a Charlie. Ficou pensando na cena durante horas, passou a noite vendo filmes na TV à cabo.
Posted by Andressα @ 19:01
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