sábado, 29 de novembro de 2008
Cap. 5 - Criando Intimidade
Chegou segunda-feira. As manhãs no colégio nunca foram tão inesperadas e desejadas. Dry já lutava contra o sono com mais vontade. Prendeu o cabelo e foi para o colégio. Subiu para sala de aula após o sinal e não conseguiu paz para contar as novidades para as amigas. Tocou o sinal indicando o intervalo. Os intervalos nunca foram tão desejados. Andava pelo corredor em direção as escadas: Dry, Chris e Vanessa.
- Gente - olhou para trás verificando se Charlie ou Ana estavam por perto, e começou a cochichar - ontem quando eu acabei de falar com a Vanessa na rua, a Ana me parou! – as três desciam as escadas.
- Quem é Ana? - respondeu Chris e Vanessa, juntas. – as meninas acabaram de descer as escadas.
- Ana... - disse Dry, puxando as meninas para uma das dependências do colégio mais afastada, onde elas gostavam de conversar, fofocar e às vezes lanchar. Era uma pequena escada onde se encontrava com um corredor, pouco usada pelos alunos nos intervalos.
Dry puxou as duas para sentar no degrau da escada. Chris continuou:
- Você me falou dela pelo computador, mas eu não entendi direito a história.
- É. Eu também não entendi direito - disse Vanessa concordando com Christina.
- Ana é uma ex do Charlie! Ela me chamou na rua e veio conversar comigo. Ela chama o Charlie de... Charles. Perguntou se eu namorava e ainda disse que não namorava também e que - fez sinal de aspas com os dedos - "já que seu amigo Charlie não me quis mais, eu to meio na seca - olhou para os lados, aflita - como se ele fosse o único homem no mundo!
- Ih, caraca... - disse Vanessa pondo as mãos na cintura.
- Vai ver, ela acha que VOCÊ tem algo com ele - disse Chris.
- Mas eu não tenho!
- Ué! Mas ela é ex dele, e do jeito lamentoso que ela disse sobre não ter namorado, ta na cara que ela gosta dele!
- É, percebi.
- Agora você vai ter que nos mostrar quem é ela - disse Vanessa puxando Dry pelo braço, ajudando-a se levantar da escada.
-Tá... vamos procurá-la.
O trio seguiu rondando o colégio à procura de Ana. Dry olhava para todos os lados. O colégio é enorme, andaram para todos os cantos até encontrar. Na longa caminhada, Dry avistou Charlie conversar com umas garotas que só conhecia de vista. Procurou perto da quadra e lá estava Ana e suas amigas.
- É aquela ali! - disse Dry se colocando de costas para Ana.
- Qual delas? - disse Vanessa olhando para as três garotas.
- A única que tá de cabelo solto! - disse num tom de voz bem baixinho.
Chris e Vanessa pararam para olhar Ana, uma garota que amava conversar, e sempre que sorria segurava nos seus cabelos.
- Vamos, eu nem quero falar com ela hoje - puxou as duas pelos braços e fazia o mesmo caminho da ida.
- Dry! - disse uma voz masculina.
Olhando para trás, o trio viu Charlie, se aproximando de Dry. As garotas acharam que ficar escutando a conversa ao lado não seria muito bom e se afastavam de Dry à medida que Charlie se aproximava.
- Oi Charlie! - deu um sorriso breve.
- Quanto tempo! Não sei se é culpa do colégio que é grande, ou do final de semana.
- Verdade, pode ter sido um dos dois... – Dry olhava para os lados procurando o que falar - O que você ficou fazendo no fim de semana?
- Fiquei estudando, só - o rapaz abaixou as sobrancelhas num tom de tédio. – ah, mas, sabe aquela menina que eu falei que tava de rolo?
- Hum - Dry olhara para os olhos puxados de Charlie, tentando descobrir onde ele queria chegar com essa conversa.
- Então... nós... não estamos mais enrolado nem nada. Ela preferiu me deixar sozinho - soltou um sorrisinho amarelo, encarando Dry.
- Não é de menos para você, aliás, sempre haverá outras, né? - respondeu de um jeito bem direto.
- É. Verdade.
- Então - Charlie esticou mão até um arbusto com flores que se encontrava atrás dele , arrancou uma pequena flor, e amostrou para Dry - você vem sempre aqui?
- Eu não acredito nisso! - Dry corou as bochechas, espantou-se, pôs a mão no rosto e começou a rir.
- Brincadeira - sorriu Charlie em seguida - Entra na brincadeira.
- E por que eu iria querer entrar?
- Porque uma dama deveria ser honrada por receber uma rosa, não acha?
Dry olhou para Charlie pensando no que ele acabara de dizer. “Esse garoto é maluco? Realmente, não consigo ter uma conversa normal com ele.” pensava.
- Tá bom. Eu não venho com freqüência aqui – Dry respondeu a pergunta anterior de Charlie - e você?
- Também não, mas agora eu sei que a melhor coisa que já vi, está na minha frente - falava o rapaz não perdendo o contato visual com Dry.
Dry estendeu a mão para ele e disse bem baixinho:
- Que cantada podre... Meu nome é Amy – disse em tom normal - mas para os íntimos, Dry.
- Prazer Dry - segurou lentamente a mão de Dry, a qual beijou lentamente - o meu é Charlie – começou a rir, por um lado aquela cena era ridícula.
Quanto mais Charlie mantinha o contato visual, mas Dry ficava nervosa por dentro, e o beijo na mão, abalou Dry por dentro. “Eu não acredito que vou ter que me explicar para alguém que estiver vendo isso. Eu não acredito que posso ser apelidada de qualquer coisa por essa cena idiota”
- Não sei se esse é um costume seu, mas o cavalheirismo funcionou. - desceu sua mão novamente - deu arrepio.
- Era a intenção - e Charlie lançou seu sorriso e seu olhar que, quase todas as meninas amavam.
Dry sorriu, pensou em algo e disse:
- Dá calor
"Dá calor?" “Que merda que VOCÊ ACABOU DE FALAR?” pensou Dry.
- Isso porque o fogo mal começou a subir - Charlie se aproximou um pouco dela, sorria e continuava olhar Dry pelos olhos a ponto de querer hipnotizá-la.
Dry ficou sem palavras e a tal brincadeira estava ficando séria.
- Não tenho mais o que dizer, não convivo com.. meretrizes... como você - sorriu sarcasticamente.
- Ah, nossa! Meretrizes! Quanto elogio! - se divertiu Charlie.
- Ah, minha vez de você entrar na minha brincadeira. - disse Dry decidida.
- Então fala.
Dry perdeu a voz, perdeu a idéia, o silêncio prevaleceu. Um olhava para o outro. Quando Dry tentou dizer algo, o sinal tocou.
- Ah! - disse sem muitas palavras em mente - vou pra sala agora!
- Nem teve brincadeira – Charlie sorriu - Tchau Dry - e olhou Dry nos olhos por mais três segundos que pareceu três horas.
- Tchau Charlie - virou-se Dry, indo procurar suas amigas.
Andando por mais quatro corredores, achou Chris e Vanessa. Uma lendo um trabalho de Química a qual pertencia, a outra com o celular no ouvido.
- Pô, que demora! - disse Vanessa num tom alterado.
- Ah, gente... desculpa. O Charlie... fala demais!
- Nós pensamos que você tinha se casado com ele, e já tava aproveitando a lua-de-mel - Chris guardou o celular na bolsa.
- Engraçadinha - abaixou as sobrancelhas e olhou para Chris, séria.
- Vamos logo pra sala - Vanessa começou puxar o trio para outro corredor em direção da sala de aula.
Chegou à hora da saída, e no portão do colégio, Ana correu até Dry com algo na mão.
- Amy!
Dry olhou para trás e viu Ana.
- Oi Ana... e me chama de Dry, todo mundo me chama assim já.
- Ah, tudo bem, é que seu nome é tão bonitinho.
- Eu sei, mas agora sou Dry.
- Tô indo levar o estojo do Charlie para ele. Tão esquecido! Se não fosse por mim já teriam roubado! - disse Ana, com seu sorriso de boneca e ao mesmo tempo, mexendo nos cabelos.
- Ah nossa! - olhou para o estojo na mão de Ana – Acho que... vou pra casa, minha mãe tá me esperando, sabe. Tchau Ana.
- Tchau Dry - e Ana se aproximou para dar dois beijinhos nas bochechas de Dry - até amanhã!
- Ate amanhã - resmungou Dry bem baixinho.
Dry já não agüentava mais Ana, era insuportável ver o teatrinho que ela faz pelo Charlie. "Ele é tão esquecido". “Ele poderia perder a cabeça logo” pensou Dry.
A rainha olhou para a rua que Ana seguia em direção a Charlie. Olhou brevemente e voltou a pegar seu caminho de casa.
Posted by Andressα @ 07:33
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