sábado, 29 de novembro de 2008

Cap. 4 - Um Dia Ensolarado

Passaram-se os dias, e chegou o final de semana. Era um fim de semana ensolarado e quente. Estavam Dry e Vanessa passeando pelas ruas do seu bairro em direção a uma praça bem grande com bastantes árvores. Parava as duas amigas para comprar sorvetes na sorveteria. Dry como sempre pedia maracujá, enquanto Vanessa pedia flocos. Numa colherada a outra Vanessa disse:
- Dry... por que você não me fala do seu novo amigo? - voltou a comer o sorvete.
- Hum... - engoliu o sorvete - de quem você ta falando?
- Ah... do Charlie! Claro! - e começava Vanessa dar curtos passos até o centro da praça.
- Aff, ele não é meu amigo - acompanhava a amiga com curtos passos também - é que eu falei com ele na festa da Ellen, aí no dia seguinte ele veio falar comigo no colégio... - saboreava uma colher de se sorvete de maracujá.
- Hum... sei. Oh, o Charlie todo mundo sabe como ele é... – Vanessa olhava para praça.
- Galinha, sei...
- Galinha? Quase um pavão... a ave mais inconstante que existe, que não tenho nem idéia de qual é! - se divertia Vanessa com suas próprias piadas.
- E você acha que eu vou ter algo com ele? Ou ao menos, deixá-lo ter algo comigo? Claro que não! - sorriu Dry ironicamente.
- Eu sei que não, só to falando que o provável vai acontecer: ele te paquerar. Mas, oh, você tem pouco tempo que ta solteira hein, cuidado pra tudo não voltar a ser como era antes.
- Eu sei... nem é minha intenção, o.k? E ah, se ele der emcima de mim, vou fazer o que mais sei fazer: desprezar
- Nossa, que medo de você - sorriu Vanessa em seguida.
- Mas Vanessa, falando sério, você nem imagina como o Charlie conversa - disse Dry após sua ultima colherada do sorvete.
- Huuuuum - olhou Vanessa com um olhar cômico - e como é?
- Ah ele fala meio devagar, ele fica jogando cantadas indiretamente e tem um sorrisinho que parece que sabe todos seus segredos, da pra perceber como ele é.
- Nossa! Imagino! Cuidado pra ele não te encantar como um encantador de serpente hehe - olhou para Dry esperando alguma previsível ação dela.
Dry olhou para Vanessa de cima a baixo e disse:
- Você é uma Ca-brita mesmo! Me chama de serpente e ainda fala que eu vou cair na do Charlie - olhou para a baixinha Vanessa com olhar fatal, a qual se dava para ler em seus olhos Dry matando Vanessa.
- Desculpa! - se divertia Vanessa com sua piada - nem foi a intenção amiga!
- Tá, tá... - abaixou por um momento as sobrancelhas como sempre faz quando se irrita.
Terminava Vanessa, suas ultimas colheradas do seu sorvete quase derretido. O tempo foi passando e as amigas seguiram caminhando para casa.
- ... então ontem eu conversei com o David. Ele fala coisas bonitinhas, mas sei lá... se ele quisesse algo a mais, estaria claro... fazer o que? É a vida.
- Ah Cah, as coisas acontecem quando a gente menos espera. Só ter calma.
- É verdade... - se aproximava da esquina que separaria as duas - já vou indo amiga.
- O.k, eu também vou - aproximou-se da amiga e a abraçou.
- Tchau.
Andando na rua oposta de Vanessa, Dry estava distraída lembrando de tudo que conversou com Vanessa e pensando nos deveres de casa que teria que fazer. As palavras de Dry para Vanessa teve um sentido muito comum, e em algum dos seus passos calmos, ela escutou algo como: "Ei! Psiu, psiu". Dry olhou para trás tentando achar quem a chamava assim. Uma garota com um rosto um pouco familiar acenou para ela e se aproximou.
- Oi, você é Amy né?
- Dry. Na verdade sou a Amy sim, mas me chama de Dry.
- Ah eu sou a Ana... - sorriu Ana, totalmente vibrante - eu estudo lá no colégio! Eu conheço o Charlie!
- Ah sim! Eu te conheço de vista - enquanto dizia as palavras da boca, Dry também escutava as palavras do pensamento: “hum, deve ser outra vadiazinha do Charlie.”
Ana é a quem podemos chamar de bobinha apaixonada, tinha sorriso de boneca e seus sentimentos são tão claros que chegam a ser transparente. Era claro que a moça amava o garoto mais desejado.
- Então, eu vi que você anda falando com ele... amizade nova acho, então resolvi te conhecer também!
- Nossa! Que perceptível! Bom, o Charlie é... legalzinho.
- Ah concerteza, o Charles é engraçado demais, morro de rir - falava Ana gesticulando as mãos também.
Dry escutava as palavras de Ana querendo adivinhar o motivo de a menina querer uma aproximação com ela. Quando Ana pronunciou Charles, soou muito bizarro aos ouvidos de Dry. Charles é um nome muito antiquado, e o fato de Ana chamá-lo de Charles, possivelmente, era único. Indagou Dry mil e umas perguntas em seus pensamentos.
- O Charlie perturba todo mundo. Mas e aí, você namora?
- Não – Ana olhou para baixo e voltou a olhar Dry - já que seu amigo Charlie não me quis mais, eu to meio na seca, e você? - soltou um breve sorriso irônico, e voltou a sua expressão normal que estava usando com Dry.
A Rainha percebeu na hora o porquê de tudo. Ana era ex de Charlie, e era obvio que ela ainda o amava e não se conformou muito com o fim, e ainda mantinha a amizade com o "Charles". Dry na hora pensou: “AH, É EX! Quer me conhecer pra saber se eu sou a próxima na lista do Charlie, e Meu Deus, Charles! Que coisa mais brega! E ela se lamentou agora como se eu fosse o motivo, ou como se fosse a ultima coisa que não devia acontecer no mundo!”
- Nossa... Não, não namoro ninguém.
- Ah que pena, mas já, já, você vai encontrar alguém!
E os pensamentos de Dry gritavam em sua cabeça: “AFF! Tá com ciúmes! Quer me afastar do Charlie, como se eu tivesse algo com ele, aff, daqui a pouco eu vou jogar essa garota na frente do primeiro carro que passar.”
- É né, o mundo ta cheio de homens, mas foi bom falar contigo! - estendeu Dry, sua mão direita ate o ombro esquerdo de Ana.
- Aham! Aham! A gente se vê na escola, então!
- Isso, tchau! - largou sua mão lentamente do ombro de Ana.
-Tchau! - acenava tchau para Dry enquanto andava na direção ao contrário que ela.
Dry voltou a seguir seu caminho para casa, mas dessa vez, em passos um pouco apressado, querendo logo chegar em casa. Chegando em casa, largou a chave, como de costume, na mesinha que fica mais próxima da porta. Entrou no quarto e ligou o computador. A breve conversa com Ana ficou martelando em sua mente até à hora de dormir. "Não acredito que ela tava com ciúmes de mim! Ela veio ate mim a ponto de saber se eu tinha namorado ou se eu tava de olho no Charlie!" Eram os pensamentos que vira e mexe, voltava a pensar.
Desligou o computador, e se deitou na cama, ainda pensando em tudo. Não era interesse de Dry ter algo com Charlie, muito menos ser amiga de Ana, mas algo a fez querer saber mais do que ela soube hoje na rua. Fechou os olhos, respirou fundo para relaxar a mente. Após alguns minutos, conseguiu durmir.

Posted by Andressα @ 15:34

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