domingo, 30 de novembro de 2008

Cap. 3 - O Protótipo de Príncipe

Na Segunda-Feira, dois dias depois da festa, era volta às aulas e Dry acordava às 6 da manhã se arrumando para o colégio. Ela ajeitava sua faixa branca na cabeça, bebia seu café, e partia com sua bolsa para o colégio. Apesar da inevitável cara de sono, inclusive de todos os alunos do colégio, era a Rainha do Gelo entrando no colégio encontrando as amigas no pátio. O colégio era grande, possuía três andares, era divido por alas: ala norte, ala sul, ala oeste e ala leste, um imenso quase interminável pátio e a quadra. Na sala de aula os comentários entre as amigas Vanessa, Christina, Ellen e Dry eram só a festa de Ellen. No meio da conversa Dry disse:
- Ellen... aquele garoto de cabelo baixo, olhos meio puxado, alto.. você é amiga dele?
- Não, eu só chamei alguns garotos com quem eu converso aí eles perguntaram se podiam levar mais alguém... e aí eles chamaram este menino que você tá falando.
- Ah tá... - disse Dry prestando atenção em Ellen.
Na hora do intervalo Dry encontra no corredor suas amigas: Chris e Vanessa. Chris tinha a pele semelhante a um bombom de chocolate, enquanto Vanessa tinha cabelos invejados como das modelos de revista da moda.
O trio segue andando pelo pátio falando sobre a professora, a aula, o fim de semana... Até que num olhar distraído para o lado, Dry avista Charlie conversando com três meninas ao mesmo tempo. Dry achara aquela cena muito supérflua para seu dia e volta a prestar atenção na conversa de suas amigas enquanto tenta se livrar 100% do sono.
- ... aquele dia eu beijei muito! - sorria vergonhosamente Chris.
- Ai, ai... só tu garota - dizia Vanessa.
- Mas eu tava pensando em atender a um dos pedidos de namoro dos meus pretendes.
- Gente, vamos sentar -dizia Dry já se aproximando do banco
- Meu Deus Chris, ta podendo hein! Enquanto eu, nossa, todos os garotos que achei ótimos para namorados, infelizmente, me consideram como a “grande amiga” – Vanessa sentou-se no banco em seguida de Chris.
- Ah pai amado! Vocês e esses garotos! Ainda bem que eu não tenho ninguém para me perturbar.
- Ahhh Dry! Você tá perdendo! Eu não faço nada demais... só aumento a lista de pretendes - Chris interrompeu sua própria fala para rir.
- Aff! - disse Vanessa. – Chris, vamos lanchar, sei lá... comprar algo pra comer.
- Vamos.
- Ah eu vou ficar aqui... tô um pouco preguiçosa hoje - disse Dry se espreguiçando.
- O.k! - falou Chris se conformando com a preguiça de Dry e seguiu com Vanessa até sair da vista de Dry.
Esperando as meninas voltarem, distraidamente, Dry é surpreendida por Charlie.
- Oi.
- Charlie, o senhor silicone!
Sentou-se Charlie, ao lado de Dry como fizera na festa.
- Fala baixo! Assim você ferra com a minha imagem!
- A culpa não é minha se você fala coisas no duplo sentido!
- Realmente, foi engraçado. Ah, antes de me esquecer, eu vim trazer algo...
- hum... - olhava Dry para Charlie que tirava da mochila algo.
- Tchãran! Você esqueceu isso na festa.
- Ah, o cadarço perdido da minha sandália! – Dry olhava para o cadarço nas mãos de Charlie.
- Como você sabe que é seu? - brincou Charlie.
- hum... porque.. você conversou comigo ontem...
- Conversei com muitas - interrompeu Charlie
O silencio foi as palavras de Dry. Fizera uma cara desprezível para Charlie.
- E para comprovar que é seu, eu vou testá-lo em você - e de repente o rapaz puxava devagar a perna esquerda da Rainha.
- Ham? O que você ta fazendo? – Dry deixara Charlie levantar uma de suas pernas, olhando para os lados para confirmar se alguém estaria pensando o que provavelmente um ser humano pensaria. Charlie tentava cruzar o cadarço no tornozelo dela.
Os pensamentos de Dry para Charlie mudou um pouco, começou a achar que o rapaz era completamente maluco por tal atitude.
- Ah! Tá me machucando- chacoalhava a perna - isso é meu! Eu sei que é meu!
- Calma. Só queria ter a honra
- Hum... – Dry olhou bem para o rosto de Charlie, reparara o quanto ele era bonito, pensou em maneirar nas palavras - se você quer “honrar”, tenta amarrar sem prender o sangue da minha perna.
E cuidadosamente ele amarrou o cadarço no tornozelo esquerdo dela. Os dois sorriam com a bizarra cena. Enquanto a rainha prosseguiu:
- Digamos que... isso, não se ver todos os dias... mas... obrigada pelo momento.. "princesa".
- Sinto muito honrado de ter feito parte do dia... madame. – Charlie sorria pela louca situação que acabou de ocorrer.
Dry olhava para Charlie e pensava se ele estivesse bêbado à esta hora da manhã. Tal cena foi tão esquisita para Dry, que superou qualquer uma que já tenha visto.
- Hum... parece que está honrado a muita coisa, agora – Dry balançava o pé, olhando o tornozelo - me deu um "emprego" de pantera, amarrou um cadarço da sandália no meu tornozelo..
- Já fiz uma coleção de honras com você. Desculpa se eu pareci, neste momento, maluco, mas você irá se acostumar comigo - interrompeu Charlie falando baixo, fitando Dry.
- Concerteza, você me pareceu maluco! – Dry olhou para o rapaz, houve um breve silencio de palavras onde só se escutara risos - Como devo recompensar?
- Recompensar? Hum... Aceito cheque, cartão, dinheiro e pagamento com o corpo.
- Ah! HAHA, não acredito! - e colocou a mão no rosto e começou a rir - Prefiro fazer outras coisas do que essas suas alternativas! – Dry puxou o pé e tirou o cadarço, e enrolou-o na mão.
- Parcelo em 10x com um pouco de juros! Boa oferta não acha?
- Huuuuum, não.
Charlie sorriu, seguido de mais uma de suas cantadas mal sucedidas.
- Você é... legal, Charlie, embora pareça um maluco tarado.
- Maluco tarado? – Charlie caiu na gargalhada - Ha, obrigado, acho que vou aceitar como um elogio, afinal, é seu primeiro elogio para mim... mas se pensarmos bem, o mundo precisa de pessoas divertidas que nem você.
-Ta aí uma coisa que EU não escuto todos os dias. - disse Dry, sarcasticamente.
Antes que Charlie pudesse continuar a conversa, Chris e Vanessa se aproximavam à medida que Charlie se distanciava sem se despedir de Dry.
As meninas sentaram no banco novamente, e cada uma segurando uma lata de refrigerante e um pacote de biscoito doce. Chegaram a perguntar a Rainha o motivo de Charlie ter ido falar com ela, mas Dry não comentou muita coisa. Logo depois, o sinal do colégio fez todos os alunos voltarem a ter mais aulas nas salas.
Passaram-se alguns dias depois dessa cena de cavalheirismo de Charlie e Dry, nesses dias, ela parou para prestar atenção na rotina dele. Sim, Charlie era o Rei das mulheres, e como um rei tem seus servos, Charlie tinha as garotas, e como um Ídolo, Charlie tinha suas tietes. Dry não é do tipo que fala com alguém sem ao menos conhecer a pessoa, ela presta atenção em todos de longe, para em seus momentos de "gelo" usar todos os pontos fracos dos outros, e o Rei não foi exceção. Charlie era amigo da ex, amigo da futura ficante, tinha uma ficante, tentava criar amizade com a futura namorada e etc.
Em outro intervalo de aula, Charlie aliviava sua sede no bebedouro, enquanto Dry aproximava ao lado:
- Nossa, só você pra sentir sede nesse frio.
- Nem imagine por que. - disse Charlie depois de beber a água, logo em seguida, sorrindo.
Um silêncio chato predominava entre o casal, Dry tinha que arranjar algo para falar no momento, antes que o silêncio ficasse constrangedor.
- Você gosta de paintball? – Dry disse a primeira coisa que lhe veio a mente - Fui jogar paintball esses dias, e nossa, levei um tiro no braço que ate agora dói. -caminhava Dry e Charlie pelo pátio
- Sério? Nossa... pra jogar paintball tem que ter muita concentração, e um pouco de sorte é claro, levar um tiro desses dói demais – Charlie franziu a testa ao pensar no tiro que Dry teria levado.
- Seria legal jogar paintball com você...
- Aham... qualquer coisa, eu faria massagem em você caso levasse tiro – Charlie ria.
- Na verdade, seria para dar um tiro na sua testa.
Charlie ria, olhava para os lados e continuava a conversa:
- Então você não vai ter pena de mim...
- Concerteza não. Acho que não tenho pena de ninguém.
O subconsciente de Dry gritava “ O quê você está falando? Paintball! Existe um assunto mais sem noção que paintball?!”
O assunto sobre paintball estava morrendo, e Dry tomou coragem para perguntar o que queria:
- Hum... me veio uma pergunta a mente que não tem nada a ver com essa nossa conversa...
- Fala.
- Você tem namorada? - fitava Dry os olhos puxados de Charlie.
- Não! - olhou para baixo- mais ou menos - olhou rapidamente para Dry e voltou a olhar para baixo - na verdade eu não sei.
- Ah! HAHA. Era de se imaginar. - parava de caminhar para ver a cara de Charlie.
- É que ficamos sabe, mas nunca assumimos algo serio... e ela anda estranha ultimamente.
- Hum... - volta Dry, andar enquanto Charlie fazia o mesmo.
- Eu não sei mais de nada.
- Imagino... você é tão misterioso. – falava Dry, um pouco sarcástica.
- Guardo segredos jamais revelados - deu seu sorriso galanteador.
- Nossa... - olho de cima a baixo Charlie.
- Eu tenho que ir agora pra aula, até mais.
- Até mais.

Os pensamentos já não gritavam mais, estava tentando entender por quê todas as conversas com Charlie não eram nada normais. Seguiu Charlie ate a quadra do colégio, enquanto Dry andava ate suas amigas e pensava: “Um galinha... era de se esperar nesses tempos modernos...”

Posted by Andressα @ 15:27

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