domingo, 30 de novembro de 2008

Cap. 3 - O Protótipo de Príncipe

Na Segunda-Feira, dois dias depois da festa, era volta às aulas e Dry acordava às 6 da manhã se arrumando para o colégio. Ela ajeitava sua faixa branca na cabeça, bebia seu café, e partia com sua bolsa para o colégio. Apesar da inevitável cara de sono, inclusive de todos os alunos do colégio, era a Rainha do Gelo entrando no colégio encontrando as amigas no pátio. O colégio era grande, possuía três andares, era divido por alas: ala norte, ala sul, ala oeste e ala leste, um imenso quase interminável pátio e a quadra. Na sala de aula os comentários entre as amigas Vanessa, Christina, Ellen e Dry eram só a festa de Ellen. No meio da conversa Dry disse:
- Ellen... aquele garoto de cabelo baixo, olhos meio puxado, alto.. você é amiga dele?
- Não, eu só chamei alguns garotos com quem eu converso aí eles perguntaram se podiam levar mais alguém... e aí eles chamaram este menino que você tá falando.
- Ah tá... - disse Dry prestando atenção em Ellen.
Na hora do intervalo Dry encontra no corredor suas amigas: Chris e Vanessa. Chris tinha a pele semelhante a um bombom de chocolate, enquanto Vanessa tinha cabelos invejados como das modelos de revista da moda.
O trio segue andando pelo pátio falando sobre a professora, a aula, o fim de semana... Até que num olhar distraído para o lado, Dry avista Charlie conversando com três meninas ao mesmo tempo. Dry achara aquela cena muito supérflua para seu dia e volta a prestar atenção na conversa de suas amigas enquanto tenta se livrar 100% do sono.
- ... aquele dia eu beijei muito! - sorria vergonhosamente Chris.
- Ai, ai... só tu garota - dizia Vanessa.
- Mas eu tava pensando em atender a um dos pedidos de namoro dos meus pretendes.
- Gente, vamos sentar -dizia Dry já se aproximando do banco
- Meu Deus Chris, ta podendo hein! Enquanto eu, nossa, todos os garotos que achei ótimos para namorados, infelizmente, me consideram como a “grande amiga” – Vanessa sentou-se no banco em seguida de Chris.
- Ah pai amado! Vocês e esses garotos! Ainda bem que eu não tenho ninguém para me perturbar.
- Ahhh Dry! Você tá perdendo! Eu não faço nada demais... só aumento a lista de pretendes - Chris interrompeu sua própria fala para rir.
- Aff! - disse Vanessa. – Chris, vamos lanchar, sei lá... comprar algo pra comer.
- Vamos.
- Ah eu vou ficar aqui... tô um pouco preguiçosa hoje - disse Dry se espreguiçando.
- O.k! - falou Chris se conformando com a preguiça de Dry e seguiu com Vanessa até sair da vista de Dry.
Esperando as meninas voltarem, distraidamente, Dry é surpreendida por Charlie.
- Oi.
- Charlie, o senhor silicone!
Sentou-se Charlie, ao lado de Dry como fizera na festa.
- Fala baixo! Assim você ferra com a minha imagem!
- A culpa não é minha se você fala coisas no duplo sentido!
- Realmente, foi engraçado. Ah, antes de me esquecer, eu vim trazer algo...
- hum... - olhava Dry para Charlie que tirava da mochila algo.
- Tchãran! Você esqueceu isso na festa.
- Ah, o cadarço perdido da minha sandália! – Dry olhava para o cadarço nas mãos de Charlie.
- Como você sabe que é seu? - brincou Charlie.
- hum... porque.. você conversou comigo ontem...
- Conversei com muitas - interrompeu Charlie
O silencio foi as palavras de Dry. Fizera uma cara desprezível para Charlie.
- E para comprovar que é seu, eu vou testá-lo em você - e de repente o rapaz puxava devagar a perna esquerda da Rainha.
- Ham? O que você ta fazendo? – Dry deixara Charlie levantar uma de suas pernas, olhando para os lados para confirmar se alguém estaria pensando o que provavelmente um ser humano pensaria. Charlie tentava cruzar o cadarço no tornozelo dela.
Os pensamentos de Dry para Charlie mudou um pouco, começou a achar que o rapaz era completamente maluco por tal atitude.
- Ah! Tá me machucando- chacoalhava a perna - isso é meu! Eu sei que é meu!
- Calma. Só queria ter a honra
- Hum... – Dry olhou bem para o rosto de Charlie, reparara o quanto ele era bonito, pensou em maneirar nas palavras - se você quer “honrar”, tenta amarrar sem prender o sangue da minha perna.
E cuidadosamente ele amarrou o cadarço no tornozelo esquerdo dela. Os dois sorriam com a bizarra cena. Enquanto a rainha prosseguiu:
- Digamos que... isso, não se ver todos os dias... mas... obrigada pelo momento.. "princesa".
- Sinto muito honrado de ter feito parte do dia... madame. – Charlie sorria pela louca situação que acabou de ocorrer.
Dry olhava para Charlie e pensava se ele estivesse bêbado à esta hora da manhã. Tal cena foi tão esquisita para Dry, que superou qualquer uma que já tenha visto.
- Hum... parece que está honrado a muita coisa, agora – Dry balançava o pé, olhando o tornozelo - me deu um "emprego" de pantera, amarrou um cadarço da sandália no meu tornozelo..
- Já fiz uma coleção de honras com você. Desculpa se eu pareci, neste momento, maluco, mas você irá se acostumar comigo - interrompeu Charlie falando baixo, fitando Dry.
- Concerteza, você me pareceu maluco! – Dry olhou para o rapaz, houve um breve silencio de palavras onde só se escutara risos - Como devo recompensar?
- Recompensar? Hum... Aceito cheque, cartão, dinheiro e pagamento com o corpo.
- Ah! HAHA, não acredito! - e colocou a mão no rosto e começou a rir - Prefiro fazer outras coisas do que essas suas alternativas! – Dry puxou o pé e tirou o cadarço, e enrolou-o na mão.
- Parcelo em 10x com um pouco de juros! Boa oferta não acha?
- Huuuuum, não.
Charlie sorriu, seguido de mais uma de suas cantadas mal sucedidas.
- Você é... legal, Charlie, embora pareça um maluco tarado.
- Maluco tarado? – Charlie caiu na gargalhada - Ha, obrigado, acho que vou aceitar como um elogio, afinal, é seu primeiro elogio para mim... mas se pensarmos bem, o mundo precisa de pessoas divertidas que nem você.
-Ta aí uma coisa que EU não escuto todos os dias. - disse Dry, sarcasticamente.
Antes que Charlie pudesse continuar a conversa, Chris e Vanessa se aproximavam à medida que Charlie se distanciava sem se despedir de Dry.
As meninas sentaram no banco novamente, e cada uma segurando uma lata de refrigerante e um pacote de biscoito doce. Chegaram a perguntar a Rainha o motivo de Charlie ter ido falar com ela, mas Dry não comentou muita coisa. Logo depois, o sinal do colégio fez todos os alunos voltarem a ter mais aulas nas salas.
Passaram-se alguns dias depois dessa cena de cavalheirismo de Charlie e Dry, nesses dias, ela parou para prestar atenção na rotina dele. Sim, Charlie era o Rei das mulheres, e como um rei tem seus servos, Charlie tinha as garotas, e como um Ídolo, Charlie tinha suas tietes. Dry não é do tipo que fala com alguém sem ao menos conhecer a pessoa, ela presta atenção em todos de longe, para em seus momentos de "gelo" usar todos os pontos fracos dos outros, e o Rei não foi exceção. Charlie era amigo da ex, amigo da futura ficante, tinha uma ficante, tentava criar amizade com a futura namorada e etc.
Em outro intervalo de aula, Charlie aliviava sua sede no bebedouro, enquanto Dry aproximava ao lado:
- Nossa, só você pra sentir sede nesse frio.
- Nem imagine por que. - disse Charlie depois de beber a água, logo em seguida, sorrindo.
Um silêncio chato predominava entre o casal, Dry tinha que arranjar algo para falar no momento, antes que o silêncio ficasse constrangedor.
- Você gosta de paintball? – Dry disse a primeira coisa que lhe veio a mente - Fui jogar paintball esses dias, e nossa, levei um tiro no braço que ate agora dói. -caminhava Dry e Charlie pelo pátio
- Sério? Nossa... pra jogar paintball tem que ter muita concentração, e um pouco de sorte é claro, levar um tiro desses dói demais – Charlie franziu a testa ao pensar no tiro que Dry teria levado.
- Seria legal jogar paintball com você...
- Aham... qualquer coisa, eu faria massagem em você caso levasse tiro – Charlie ria.
- Na verdade, seria para dar um tiro na sua testa.
Charlie ria, olhava para os lados e continuava a conversa:
- Então você não vai ter pena de mim...
- Concerteza não. Acho que não tenho pena de ninguém.
O subconsciente de Dry gritava “ O quê você está falando? Paintball! Existe um assunto mais sem noção que paintball?!”
O assunto sobre paintball estava morrendo, e Dry tomou coragem para perguntar o que queria:
- Hum... me veio uma pergunta a mente que não tem nada a ver com essa nossa conversa...
- Fala.
- Você tem namorada? - fitava Dry os olhos puxados de Charlie.
- Não! - olhou para baixo- mais ou menos - olhou rapidamente para Dry e voltou a olhar para baixo - na verdade eu não sei.
- Ah! HAHA. Era de se imaginar. - parava de caminhar para ver a cara de Charlie.
- É que ficamos sabe, mas nunca assumimos algo serio... e ela anda estranha ultimamente.
- Hum... - volta Dry, andar enquanto Charlie fazia o mesmo.
- Eu não sei mais de nada.
- Imagino... você é tão misterioso. – falava Dry, um pouco sarcástica.
- Guardo segredos jamais revelados - deu seu sorriso galanteador.
- Nossa... - olho de cima a baixo Charlie.
- Eu tenho que ir agora pra aula, até mais.
- Até mais.

Os pensamentos já não gritavam mais, estava tentando entender por quê todas as conversas com Charlie não eram nada normais. Seguiu Charlie ate a quadra do colégio, enquanto Dry andava ate suas amigas e pensava: “Um galinha... era de se esperar nesses tempos modernos...”

Posted by Andressα @ 15:27
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sábado, 29 de novembro de 2008

Cap. 4 - Um Dia Ensolarado

Passaram-se os dias, e chegou o final de semana. Era um fim de semana ensolarado e quente. Estavam Dry e Vanessa passeando pelas ruas do seu bairro em direção a uma praça bem grande com bastantes árvores. Parava as duas amigas para comprar sorvetes na sorveteria. Dry como sempre pedia maracujá, enquanto Vanessa pedia flocos. Numa colherada a outra Vanessa disse:
- Dry... por que você não me fala do seu novo amigo? - voltou a comer o sorvete.
- Hum... - engoliu o sorvete - de quem você ta falando?
- Ah... do Charlie! Claro! - e começava Vanessa dar curtos passos até o centro da praça.
- Aff, ele não é meu amigo - acompanhava a amiga com curtos passos também - é que eu falei com ele na festa da Ellen, aí no dia seguinte ele veio falar comigo no colégio... - saboreava uma colher de se sorvete de maracujá.
- Hum... sei. Oh, o Charlie todo mundo sabe como ele é... – Vanessa olhava para praça.
- Galinha, sei...
- Galinha? Quase um pavão... a ave mais inconstante que existe, que não tenho nem idéia de qual é! - se divertia Vanessa com suas próprias piadas.
- E você acha que eu vou ter algo com ele? Ou ao menos, deixá-lo ter algo comigo? Claro que não! - sorriu Dry ironicamente.
- Eu sei que não, só to falando que o provável vai acontecer: ele te paquerar. Mas, oh, você tem pouco tempo que ta solteira hein, cuidado pra tudo não voltar a ser como era antes.
- Eu sei... nem é minha intenção, o.k? E ah, se ele der emcima de mim, vou fazer o que mais sei fazer: desprezar
- Nossa, que medo de você - sorriu Vanessa em seguida.
- Mas Vanessa, falando sério, você nem imagina como o Charlie conversa - disse Dry após sua ultima colherada do sorvete.
- Huuuuum - olhou Vanessa com um olhar cômico - e como é?
- Ah ele fala meio devagar, ele fica jogando cantadas indiretamente e tem um sorrisinho que parece que sabe todos seus segredos, da pra perceber como ele é.
- Nossa! Imagino! Cuidado pra ele não te encantar como um encantador de serpente hehe - olhou para Dry esperando alguma previsível ação dela.
Dry olhou para Vanessa de cima a baixo e disse:
- Você é uma Ca-brita mesmo! Me chama de serpente e ainda fala que eu vou cair na do Charlie - olhou para a baixinha Vanessa com olhar fatal, a qual se dava para ler em seus olhos Dry matando Vanessa.
- Desculpa! - se divertia Vanessa com sua piada - nem foi a intenção amiga!
- Tá, tá... - abaixou por um momento as sobrancelhas como sempre faz quando se irrita.
Terminava Vanessa, suas ultimas colheradas do seu sorvete quase derretido. O tempo foi passando e as amigas seguiram caminhando para casa.
- ... então ontem eu conversei com o David. Ele fala coisas bonitinhas, mas sei lá... se ele quisesse algo a mais, estaria claro... fazer o que? É a vida.
- Ah Cah, as coisas acontecem quando a gente menos espera. Só ter calma.
- É verdade... - se aproximava da esquina que separaria as duas - já vou indo amiga.
- O.k, eu também vou - aproximou-se da amiga e a abraçou.
- Tchau.
Andando na rua oposta de Vanessa, Dry estava distraída lembrando de tudo que conversou com Vanessa e pensando nos deveres de casa que teria que fazer. As palavras de Dry para Vanessa teve um sentido muito comum, e em algum dos seus passos calmos, ela escutou algo como: "Ei! Psiu, psiu". Dry olhou para trás tentando achar quem a chamava assim. Uma garota com um rosto um pouco familiar acenou para ela e se aproximou.
- Oi, você é Amy né?
- Dry. Na verdade sou a Amy sim, mas me chama de Dry.
- Ah eu sou a Ana... - sorriu Ana, totalmente vibrante - eu estudo lá no colégio! Eu conheço o Charlie!
- Ah sim! Eu te conheço de vista - enquanto dizia as palavras da boca, Dry também escutava as palavras do pensamento: “hum, deve ser outra vadiazinha do Charlie.”
Ana é a quem podemos chamar de bobinha apaixonada, tinha sorriso de boneca e seus sentimentos são tão claros que chegam a ser transparente. Era claro que a moça amava o garoto mais desejado.
- Então, eu vi que você anda falando com ele... amizade nova acho, então resolvi te conhecer também!
- Nossa! Que perceptível! Bom, o Charlie é... legalzinho.
- Ah concerteza, o Charles é engraçado demais, morro de rir - falava Ana gesticulando as mãos também.
Dry escutava as palavras de Ana querendo adivinhar o motivo de a menina querer uma aproximação com ela. Quando Ana pronunciou Charles, soou muito bizarro aos ouvidos de Dry. Charles é um nome muito antiquado, e o fato de Ana chamá-lo de Charles, possivelmente, era único. Indagou Dry mil e umas perguntas em seus pensamentos.
- O Charlie perturba todo mundo. Mas e aí, você namora?
- Não – Ana olhou para baixo e voltou a olhar Dry - já que seu amigo Charlie não me quis mais, eu to meio na seca, e você? - soltou um breve sorriso irônico, e voltou a sua expressão normal que estava usando com Dry.
A Rainha percebeu na hora o porquê de tudo. Ana era ex de Charlie, e era obvio que ela ainda o amava e não se conformou muito com o fim, e ainda mantinha a amizade com o "Charles". Dry na hora pensou: “AH, É EX! Quer me conhecer pra saber se eu sou a próxima na lista do Charlie, e Meu Deus, Charles! Que coisa mais brega! E ela se lamentou agora como se eu fosse o motivo, ou como se fosse a ultima coisa que não devia acontecer no mundo!”
- Nossa... Não, não namoro ninguém.
- Ah que pena, mas já, já, você vai encontrar alguém!
E os pensamentos de Dry gritavam em sua cabeça: “AFF! Tá com ciúmes! Quer me afastar do Charlie, como se eu tivesse algo com ele, aff, daqui a pouco eu vou jogar essa garota na frente do primeiro carro que passar.”
- É né, o mundo ta cheio de homens, mas foi bom falar contigo! - estendeu Dry, sua mão direita ate o ombro esquerdo de Ana.
- Aham! Aham! A gente se vê na escola, então!
- Isso, tchau! - largou sua mão lentamente do ombro de Ana.
-Tchau! - acenava tchau para Dry enquanto andava na direção ao contrário que ela.
Dry voltou a seguir seu caminho para casa, mas dessa vez, em passos um pouco apressado, querendo logo chegar em casa. Chegando em casa, largou a chave, como de costume, na mesinha que fica mais próxima da porta. Entrou no quarto e ligou o computador. A breve conversa com Ana ficou martelando em sua mente até à hora de dormir. "Não acredito que ela tava com ciúmes de mim! Ela veio ate mim a ponto de saber se eu tinha namorado ou se eu tava de olho no Charlie!" Eram os pensamentos que vira e mexe, voltava a pensar.
Desligou o computador, e se deitou na cama, ainda pensando em tudo. Não era interesse de Dry ter algo com Charlie, muito menos ser amiga de Ana, mas algo a fez querer saber mais do que ela soube hoje na rua. Fechou os olhos, respirou fundo para relaxar a mente. Após alguns minutos, conseguiu durmir.

Posted by Andressα @ 15:34
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Cap. 5 - Criando Intimidade

Chegou segunda-feira. As manhãs no colégio nunca foram tão inesperadas e desejadas. Dry já lutava contra o sono com mais vontade. Prendeu o cabelo e foi para o colégio. Subiu para sala de aula após o sinal e não conseguiu paz para contar as novidades para as amigas. Tocou o sinal indicando o intervalo. Os intervalos nunca foram tão desejados. Andava pelo corredor em direção as escadas: Dry, Chris e Vanessa.
- Gente - olhou para trás verificando se Charlie ou Ana estavam por perto, e começou a cochichar - ontem quando eu acabei de falar com a Vanessa na rua, a Ana me parou! – as três desciam as escadas.
- Quem é Ana? - respondeu Chris e Vanessa, juntas. – as meninas acabaram de descer as escadas.
- Ana... - disse Dry, puxando as meninas para uma das dependências do colégio mais afastada, onde elas gostavam de conversar, fofocar e às vezes lanchar. Era uma pequena escada onde se encontrava com um corredor, pouco usada pelos alunos nos intervalos.
Dry puxou as duas para sentar no degrau da escada. Chris continuou:
- Você me falou dela pelo computador, mas eu não entendi direito a história.
- É. Eu também não entendi direito - disse Vanessa concordando com Christina.
- Ana é uma ex do Charlie! Ela me chamou na rua e veio conversar comigo. Ela chama o Charlie de... Charles. Perguntou se eu namorava e ainda disse que não namorava também e que - fez sinal de aspas com os dedos - "já que seu amigo Charlie não me quis mais, eu to meio na seca - olhou para os lados, aflita - como se ele fosse o único homem no mundo!
- Ih, caraca... - disse Vanessa pondo as mãos na cintura.
- Vai ver, ela acha que VOCÊ tem algo com ele - disse Chris.
- Mas eu não tenho!
- Ué! Mas ela é ex dele, e do jeito lamentoso que ela disse sobre não ter namorado, ta na cara que ela gosta dele!
- É, percebi.
- Agora você vai ter que nos mostrar quem é ela - disse Vanessa puxando Dry pelo braço, ajudando-a se levantar da escada.
-Tá... vamos procurá-la.
O trio seguiu rondando o colégio à procura de Ana. Dry olhava para todos os lados. O colégio é enorme, andaram para todos os cantos até encontrar. Na longa caminhada, Dry avistou Charlie conversar com umas garotas que só conhecia de vista. Procurou perto da quadra e lá estava Ana e suas amigas.
- É aquela ali! - disse Dry se colocando de costas para Ana.
- Qual delas? - disse Vanessa olhando para as três garotas.
- A única que tá de cabelo solto! - disse num tom de voz bem baixinho.
Chris e Vanessa pararam para olhar Ana, uma garota que amava conversar, e sempre que sorria segurava nos seus cabelos.
- Vamos, eu nem quero falar com ela hoje - puxou as duas pelos braços e fazia o mesmo caminho da ida.
- Dry! - disse uma voz masculina.
Olhando para trás, o trio viu Charlie, se aproximando de Dry. As garotas acharam que ficar escutando a conversa ao lado não seria muito bom e se afastavam de Dry à medida que Charlie se aproximava.
- Oi Charlie! - deu um sorriso breve.
- Quanto tempo! Não sei se é culpa do colégio que é grande, ou do final de semana.
- Verdade, pode ter sido um dos dois... – Dry olhava para os lados procurando o que falar - O que você ficou fazendo no fim de semana?
- Fiquei estudando, só - o rapaz abaixou as sobrancelhas num tom de tédio. – ah, mas, sabe aquela menina que eu falei que tava de rolo?
- Hum - Dry olhara para os olhos puxados de Charlie, tentando descobrir onde ele queria chegar com essa conversa.
- Então... nós... não estamos mais enrolado nem nada. Ela preferiu me deixar sozinho - soltou um sorrisinho amarelo, encarando Dry.
- Não é de menos para você, aliás, sempre haverá outras, né? - respondeu de um jeito bem direto.
- É. Verdade.
- Então - Charlie esticou mão até um arbusto com flores que se encontrava atrás dele , arrancou uma pequena flor, e amostrou para Dry - você vem sempre aqui?
- Eu não acredito nisso! - Dry corou as bochechas, espantou-se, pôs a mão no rosto e começou a rir.
- Brincadeira - sorriu Charlie em seguida - Entra na brincadeira.
- E por que eu iria querer entrar?
- Porque uma dama deveria ser honrada por receber uma rosa, não acha?
Dry olhou para Charlie pensando no que ele acabara de dizer. “Esse garoto é maluco? Realmente, não consigo ter uma conversa normal com ele.” pensava.
- Tá bom. Eu não venho com freqüência aqui – Dry respondeu a pergunta anterior de Charlie - e você?
- Também não, mas agora eu sei que a melhor coisa que já vi, está na minha frente - falava o rapaz não perdendo o contato visual com Dry.
Dry estendeu a mão para ele e disse bem baixinho:
- Que cantada podre... Meu nome é Amy – disse em tom normal - mas para os íntimos, Dry.
- Prazer Dry - segurou lentamente a mão de Dry, a qual beijou lentamente - o meu é Charlie – começou a rir, por um lado aquela cena era ridícula.
Quanto mais Charlie mantinha o contato visual, mas Dry ficava nervosa por dentro, e o beijo na mão, abalou Dry por dentro. “Eu não acredito que vou ter que me explicar para alguém que estiver vendo isso. Eu não acredito que posso ser apelidada de qualquer coisa por essa cena idiota”
- Não sei se esse é um costume seu, mas o cavalheirismo funcionou. - desceu sua mão novamente - deu arrepio.
- Era a intenção - e Charlie lançou seu sorriso e seu olhar que, quase todas as meninas amavam.
Dry sorriu, pensou em algo e disse:
- Dá calor
"Dá calor?" “Que merda que VOCÊ ACABOU DE FALAR?” pensou Dry.
- Isso porque o fogo mal começou a subir - Charlie se aproximou um pouco dela, sorria e continuava olhar Dry pelos olhos a ponto de querer hipnotizá-la.
Dry ficou sem palavras e a tal brincadeira estava ficando séria.
- Não tenho mais o que dizer, não convivo com.. meretrizes... como você - sorriu sarcasticamente.
- Ah, nossa! Meretrizes! Quanto elogio! - se divertiu Charlie.
- Ah, minha vez de você entrar na minha brincadeira. - disse Dry decidida.
- Então fala.
Dry perdeu a voz, perdeu a idéia, o silêncio prevaleceu. Um olhava para o outro. Quando Dry tentou dizer algo, o sinal tocou.
- Ah! - disse sem muitas palavras em mente - vou pra sala agora!
- Nem teve brincadeira – Charlie sorriu - Tchau Dry - e olhou Dry nos olhos por mais três segundos que pareceu três horas.
- Tchau Charlie - virou-se Dry, indo procurar suas amigas.
Andando por mais quatro corredores, achou Chris e Vanessa. Uma lendo um trabalho de Química a qual pertencia, a outra com o celular no ouvido.
- Pô, que demora! - disse Vanessa num tom alterado.
- Ah, gente... desculpa. O Charlie... fala demais!
- Nós pensamos que você tinha se casado com ele, e já tava aproveitando a lua-de-mel - Chris guardou o celular na bolsa.
- Engraçadinha - abaixou as sobrancelhas e olhou para Chris, séria.
- Vamos logo pra sala - Vanessa começou puxar o trio para outro corredor em direção da sala de aula.
Chegou à hora da saída, e no portão do colégio, Ana correu até Dry com algo na mão.
- Amy!
Dry olhou para trás e viu Ana.
- Oi Ana... e me chama de Dry, todo mundo me chama assim já.
- Ah, tudo bem, é que seu nome é tão bonitinho.
- Eu sei, mas agora sou Dry.
- Tô indo levar o estojo do Charlie para ele. Tão esquecido! Se não fosse por mim já teriam roubado! - disse Ana, com seu sorriso de boneca e ao mesmo tempo, mexendo nos cabelos.
- Ah nossa! - olhou para o estojo na mão de Ana – Acho que... vou pra casa, minha mãe tá me esperando, sabe. Tchau Ana.
- Tchau Dry - e Ana se aproximou para dar dois beijinhos nas bochechas de Dry - até amanhã!
- Ate amanhã - resmungou Dry bem baixinho.
Dry já não agüentava mais Ana, era insuportável ver o teatrinho que ela faz pelo Charlie. "Ele é tão esquecido". “Ele poderia perder a cabeça logo” pensou Dry.
A rainha olhou para a rua que Ana seguia em direção a Charlie. Olhou brevemente e voltou a pegar seu caminho de casa.

Posted by Andressα @ 07:33
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Cap. 6 - Setembro se aproxima... e Charlie também

Dry chegou em casa, largou a bolsa em cima do sofá, e entrou para dentro do quarto. Pensou no que passou durante o colégio. Passou-se a noite, o dia e mais uma noite. Era na ultima semana de Agosto, estava chuvoso e frio. Dry já reparara que Charlie era o que as outras garotas falavam. Dry já estava percebendo que estava gostando de Charlie, mas mantinha esse segredo só para ela. Se transformou numa pessoa muito fechada depois do seu ultimo relacionamento, desacreditou no amor e em várias outras coisas.
Na sala de aula, a professora corrigia provas de outros colégios. Dry estava desenhando em suas folhas, até que começa a acompanhar uma conversa de um casal atrás dela.
-... você não sente ciúmes de mim!
- Ah Michelle vai começar de novo com isso? - disse o namorado paciente ainda.
- Aham. Sabe, eu queria que você sentisse ciúmes meus sabe, todo mundo sente ciúmes, menos você, Will.
- Se eu sentisse, você iria reclamar, ia me chamar de possessivo...
Dry já estava tediada e aquele projeto de discussão atrás dela estava lhe dando sono. Terminando seu desenho, ela foi cutucada no ombro.
- Amy - disse Michelle, uma garota de cabelos castanhos com um rosto pequeno - você acha que em um namoro, tem que ter ciúmes?
Dry olhou sem entender a cena. Olhou para ambos e respondeu:
- É, eu acho - falou num tom incerto.
- Viu William - disse Michelle num tom de voz firme para Will.
- Ela é maluca! Ela queria que eu fosse o super ciumento! - disse Will num tom de desespero para Dry.
- Na verdade, vocês que são malucos! - respondeu Dry.
Aquele casal era William e Michelle, o casal que você só encontrava em dois modos: falando coisas melosas um para o outro, ou discutindo a relação em qualquer lugar.
O casal gostou da companhia de Dry, e passou a ocupá-la a qualquer hora, mesmo que de repente, eles deixavam Dry segurando vela.
Bateu o sinal do intervalo, e o casal e a rainha do gelo andavam conversando. Chegando no fim de um corredor, o casal se despediu de Dry, enquanto ela procurava as garotas no colégio. Verificou no banheiro e nada. Quase saindo do banheiro, Michelle fez o mesmo trajeto de Dry e entrou no banheiro.
- Dry! - andava quase nas pontas dos dedos do pé.
- Ah, que foi?
- A nossa que bom que nós conversamos sobre bastante coisa hoje, nossa, o Will ficou bem pensativo depois de tudo! - retirou um gloss do bolso.
- Uau, vocês conseguem ser o casal mais complexo que já conheci! - disse Dry olhando Michelle se olhar no espelho.
Michelle começou a rir e disse:
- Dry você é tão engraçada! - começou a passar o gloss nos lábios.
- Só falo a verdade - sorriu.
- Agora eu vou procurar o Will. Bye, bye.
Saiu Michelle, de repente, do mesmo jeito que entrou. Dry em seguida saiu e continuou sua busca por Vanessa e Chris. Nenhum sinal de vida das meninas. A rainha se sentou num dos milhares existentes do colégio, sozinha. Era chato ficar sozinha, ela ficava tentando achar coisas para se entreter, ou simplesmente, algum lugar para olhar. Encontrou Charlie em seus olhares como de costume. Viu Charlie entregar um pedaço de papel para uma menina que Dry nem fazia idéia de como se chamava. A garota se afastou dele e o rapaz ficou parado com as mãos no bolso. Dry admirava a beleza de Charlie, o rapaz que tanto a atraiu nos últimos dias, mas esse detalhe era mantido só com ela mesma. Não confiava nos sentimentos dos outros e nem dos delas mesmo.
Os olhares de Dry serviram de imã para ele, até que, um certo momento, Charlie virou o olhar e encontrou com o de Dry. Ele percebera que a garota estava sozinha naquele banco e começou a se aproximar da rainha.
- É chato poder só falar contigo nos intervalos - sentou-se do lado dela - sempre quando eu me empolgo pra conversar com você, esse sinal toca.
- Significa que você fala demais - sorriu pelo canto da boca - brincadeira.
- Devem ler meus pensamentos, eu acho.
Dry se levantou do banco e disse:
- Aham... hum... Charlie, você viu uma das garotas que andam comigo?
- Acho que sim. Acho que as vi passar por algum lugar do pátio.
- Ah... - olhou para seu redor.
- É melhor, porque assim sobra mais tempo para nós... conversamos.
- Nossa. E o que você quer conversar? - Dry desafiava Charlie.
- Tudo que você quiser - sorria pelo canto da boca.
Dry se envergonhou com as palavras e estava sem palavras.
- Hum. Vou preferir os assuntos diferentes que você conversa com suas tietes.
Charlie soltou um sorriso, e voltou a dizer:
- Eu sei que você me ama - sorriu para Dry.
As bochechas dela ficaram vermelhas. Embora ela desejasse tanto o posto da mais seca do mundo, estava esquecendo-se deste detalhe.
- Ham?! Eu não te amo! Quem te disse isso?! - se espantou e arregalou os olhos.
- Dá pra perceber! Não minta!
- Eu não gosto de você! Você que é convencido demais!
- Eu só disse o que é visível - Charlie encarava Dry
- Ah Charlie – Dry começara a debochar de Charlie, rodeando ele - eu não sei da onde você tirou essa idéia... seus olhos são tão pequeninhos que você nem enxerga direito.
Charlie percebeu o joginho da Rainha do gelo e seu novo objetivo estava pronto: ficar com Dry.
- Eu vou querer ver até onde você consegue mentir – levantou-se e posicionou de frente para Dry.
- Não é mentira! - sorriu - É que você acha que eu sou como as outras, mas eu não sou... Você nem imagina o quanto eu sou diferente. - levantou a sobrancelha com seu olhar endiabrado.
- Está mentindo. Na verdade, você me ama e não resiste aos meus olhos.
"Eu não acredito que ele tá falando isso pra mim! Cachorro! Cachorro! Eu não vou dar o capricho de admitir e parecer fácil." pensou a moça.
- Que observação, Charlie! - Dry riu ironicamente.
- Tá... hoje você pode não admitir.. mas um dia você irá admitir! - disse Charlie confiante.
- Pode esperar... vai esperando deitado, porque é bem improvável e incerto - andou para trás de Charlie deslizando o dedo na nuca dele.
Charlie se arrepiou e num choque, deu um salto para frete, rindo.
- Você... sente cócegas?
- Sinto sim, algum problema? – Charlie contorceu os ombros.
- Nenhum.
O sinal tocou. Os dois se entreolharam.
- Eu falo contigo na saída - Charlie ajeitou seu uniforme.
Dry não se despediu, mas sorrio para Charlie. Quando chegou à virada da escada, se chocou com Vanessa.
- Onde você tava?! Te procurei o intervalo todo! - disse Dry.
- Eu tava na sala dos professores com a Christina. A professora pediu nossa ajuda para a próxima festa do colégio.
- Festa? - subiu dois degraus e parou no que se encontrava Vanessa.
- Aham! Depois te explico, vamos pra sala porque tem prova agora.
As duas entraram na sala de aula e sentaram em seus devidos lugares perto da janela. O casal-terapia sentava atrás de Dry e Vanessa, enquanto Chris sentava ao lado de Sofia, na frente.
O professor de Biologia entrou na sala de aula, se apossando da mesa do professor. Dry olhava pela janela as dependências do colégio e viu Charlie à caminho de sua aula de educação física. Observava-o fazendo embaixadas, correndo, parado...
- A professora tinha me dito que o colégio vai fazer uma festa de primavera, ou coisa do tipo...
- Ham? - falou Dry, virando o seu rosto da janela para Vanessa.
- Falei que a professora vai fazer uma festa de primavera ou alguma coisa do tipo.
- Ah... tá. - retirava de sua bolsa seu estojo e colocou emcima da mesa.
- Essa festa deve ser a única
- Entendi...
O professor levantou-se da cadeira, já preparado com os testes na mão. Antes de pronunciar qualquer palavra, a inspetora do colégio bateu na porta da sala de aula. O professor abriu, e a inspetora disse:
- Com licença.
- Claro - disse o professor voltando a sentar em sua cadeira.
- Turma, o colégio organizará uma festa no dia 23 de setembro. Festa da primavera. Provavelmente começará às 16h e termina às 23h. Nada está certo ainda, porque setembro ainda irá começar, mas caso aconteça alguma mudança de planos, eu irei avisar. Alguns alunos ganharão alguns pontos ajudando a professora Ângela. – a inspetora permaneceu um pouco em silêncio - Obrigada - a inspetora deixou a sala de aula.
A sala se encontrou barulhenta, pois todos os alunos cochichavam com seus colegas.
- Essa festa promete! - disse Vanessa empolgada.
Chris se virou para bater papo com as amigas e disse:
- Caraca, não vejo a hora de chegar dia 23 de setembro - soltou uma risada cômica.
- Nossa, nem quero imaginar - disse Dry, olhando para janela.
O professor levantou-se de novo de sua cadeira, e passou seu teste para a turma.




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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Cap. 7 - O beijo e a primeira decepção

Passaram-se alguns dias, era começo de setembro, o sol se abriu e o dia todo foi quente. A professora de matemática faltou por motivos médicos, e a turma das garotas foi liberada cedo.
O trio não queria voltar pra casa, queria conversar com a rainha. Dry também não queria entrar em casa para conversar, tava quente e sua mãe estava em casa. O trio se reuniu numa lanchonete com bancos de quatro cadeiras. Ficaram batendo papo ali por bastante tempo. Estavam planejando um dia para sair para comprar os vestidos que cada uma iria usar na tal festa. Marcaram de ir ao final de semana perto da festa. Após sair da lanchonete, Vanessa e Chris iam pela mesma rua à direção de casa, enquanto Dry andava numa rua que à tarde era sempre calma. Em seus passos, olhando para frente, avistou um rapaz muito parecido com Charlie. Seu coração bateu rápido, mas não tinha certeza se era Charlie mesmo. Mais alguns passos e ela confirmou: era Charlie com uma latinha de refrigerante à mão.
Com mais ou menos um metro de distancia, Charlie disse:
- Que surpresa mais agradável - sorriu.
- Acho que digo o mesmo - sorriu Dry.
- Ta perdida por aqui? Nunca te vi andar nessa rua! – desviou o olhar para baixo e sorriu – brincadeira! - encostou o ombro na parede da calçada.
- Não to perdida - Dry forçou um riso - é que eu estava voltando de um lugar com as minhas amigas, por isso peguei esse caminho.
Charlie escutou as palavras de Dry em silêncio e assentiu com a cabeça. Tratou-se de dizer o que já estava à mente.
- Pensei que não ia conseguir falar contigo na hora da saída... mas aí achei você aqui. Quer um pouco? - ofereceu seu refrigerante.
- Vou aceitar - pegou a latinha da mão de Charlie, bebeu um gole, e o devolveu - eu sei que você já não vive mais passando um dia sem falar comigo.
- Concordo – disse Charlie firmemente – Por que eu iria evitar você?
- Não sei. Talvez você não me conheça direito a ponto de não me evitar.
- Talvez eu só esteja fazendo o que todos não fizeram. Para evitarmos, precisamos conhecer bem, não acha?
Dry olhou fixamente para Charlie. Por que às vezes parecia que Charlie tinha as respostas na ponta da língua?
- Acho que concordo com você. Mas isso não te torna único – Dry sorria maliciosamente.
- Então me considere corajoso.
- O.k. Sr. Corajoso... um dia tento entender porque você gosta tanto de falar comigo
- Não vai ser difícil. Mas suponhamos que daqui alguns dias você mude de idéia... eu sei que você me ama. De corajoso vou ser único, certo?
- Eu não te amo! – Dry se revoltava a cada vez que escutava essas palavras – Na verdade... você me ama por falar isso!
- Mas eu te amo, e admito!
- Ama nada! Você não presta - olhou com seu olhar endiabrado para os olhos de Charlie.
- Eu não presto? – Charlie ria sinicamente - Que mentira Dry, só você que pensa isso!
- Só eu? Todo mundo pode ver isso, a diferença é que eu falo na cara.
- HAHA, nossa! Dry eu não sou, sério – Charlie continuava a sorrir sinicamente. Olhava para ao seu redor enquanto sorria.
- Suas tietes não falam isso porque são da mesma laia - Dry esticou a mão para bagunçar o cabelo de Charlie - não te perturbam,não falam a verdade, só sabem babar por você.
Charlie afastou o rosto um pouco para trás quando Dry bagunçava seus finos fios de cabelo. Quando as mãos de Dry voltaram ao lugar.
- Mas realmente, ninguém é tão... digamos... sincera, assim comigo.
- Eu sei disso. Você sabe que eu gosto de ser a única, né?
- Concerteza.
- Posso dizer que está no caminho certo.
Charlie estava perto demais de Dry. No fundo, Dry queria Charlie. Falava mal do rapaz, mas estava curiosa em saber o que todas as garotas idolatravam. A cena estava propícia de um beijo. O que fazer Dry? Deixar-se levar pela curiosidade de seus sentimentos ou simplesmente pelo seu lado mais cético?
- Posso fazer algo Charlie? – Dry perguntou. A moça perguntou num tom de voz vulnerável, como se qualquer pessoa poderia enxergar sua vergonha.
- Pode – respondeu Charlie, fitando Dry.
Dry aproximou seu rosto no de Charlie, colocou suas duas mãos nas bochechas do rapaz e deu um leve selinho. Após isso, se encontrou em choque e envergonhada. Seu rosto se tornou vermelho, não sabia se continuava a olhar Charlie ou se simplesmente olhava para o chão. Queria poder sumir daquela situação num estalar de dedos. O silêncio foi quebrado quando Charlie perguntou:
- Só um?
- Ué! Por quê? Você queria mais? – Dry se sentiu um pouco mais aliviada. Não era o que esperava ouvir, mas serviu para quebrar o gelo.
- O que você acha?
E Charlie aproximou o rosto no de Dry, puxou seus lábios com sua boca e em seguida emendou num beijo. Dry sentiu seu coração bater mais rápido, poderia dizer que seu coração estava perto demais da pele. Depois do choque, abraçou Charlie e continuo com o beijo. Charlie tentava segurar a latinha no seu abraço com Dry.
Os dois ficaram ali naquela rua aos beijos e carícias por um tempo. O beijo foi terminado, Dry e Charlie se olharam. Um breve silêncio prevaleceu, mas Dry prosseguiu:
- Eu tenho que ir agora - disse Dry meio constrangida, se afastando um pouco de Charlie.
- Já? - respondeu Charlie envergonhado também.
- Aham. Até amanhã Charlie - disse Dry dando passos por trás de Charlie.
- Tchau - disse o rapaz enquanto olhava Dry andar.
Dry andava com passos longos até sua casa. Chegando lá, ela largou a bolsa na sala como de costume e se atirou na cama. Estava paralisada. Alguns minutos depois ela começara a rir e seu rosto corar. Estava tão empolgada e feliz que pegou o telefone e ligou para Vanessa. Contou para a amiga toda cena que teve na rua com Charlie e não cansou de repetir o efeito do beijo do rapaz. Acabando a ligação de meia hora com Vanessa, Dry repetiu tudo ao ligar para Chris. Depois das duas ligações de meia hora, Dry sentou em seu sofá com os pés emcima. Sorria e não parava de lembrar-se da cena. A rainha do gelo parecia mais a rainha do verão, ou da primavera... menos do gelo. Pensou que a partir desse dia, seu relacionamento com Charlie iria mudar muito. Tinha se esquecido de como Charlie era e todas as coisas que tinha em mente quando era racional.
No dia seguinte no colégio, Dry estava sem o mínimo de sono, estava com o rosto radiante, mexia nos cabelos com freqüência e estava sorridente para as amigas. A rotina de Dry era a mesma todos os dias: nos intervalos sempre dava um jeito de ter uma conversa com Charlie, se não conseguisse, papeava com ele depois das aulas. Era quase a mesma coisa todas às vezes: conversavam e se beijavam e o casal sempre fingia que nada acontecia no dia seguinte. Eles não se consideravam ficantes, mas sim amigos que por acaso tinha oportunidade de beijo.
Chegou uma sexta-feira, e estava Dry e Charlie numa rua, logo depois das aulas. Os dois conversavam sobre o que faziam em casa, sobre provas, entre outras coisas. Dry estava com os braços em volta do pescoço de Charlie, mas não estavam bem abraçados. Trocavam beijos e algumas conversas sobre o colégio. Num momento sem assunto Charlie começou brincando:
-... eu sei que você me ama Dry, você só não admite isso – Charlie encostava seu rosto ao ombro de Dry
- Como você ADORA falar nisso. Eu não te amo, eu hein!
- Eu só sou realista! – Charlie ergueu seu rosto diante par ao de Dry.
- Não vi nada de realista no que você disse.
Charlie apenas olhava Dry.
- Vamos inverter isso, você gosta de mim? – Dry fez questão de não perder o olhar de Charlie a cada segundo.
- Eu ia dizer isso agora, mas antes admita que me ama.
- Tá, tá, tá bom! Eu te amo - olhou para o lado, revirando os olhos.
Charlie começou a rir da atitude de Dry, e disse:
- Eu te amo, Dry – Charlie esticou suas mãos até a cintura da moça.
- Ama quanto? - olhava com seu olhar endiabrado
- Bastante. Je t'aime beacoup aussi. - tentou Charlie, falar francês. Aproximou-se mais do rosto de Dry, e lhe deu um beijo.
Dry sorriu e retribuía o beijo. Não entendera muito bem o que Charlie disse nessa confusa pronúncia e disse:
- Ham?
- Não lembro se é assim! Desculpa meu mau francês - começou a rir.
O casal estava abraçado naquela rua e o sol brilhava nos cabelos castanhos de Dry e Charlie. Sempre ficavam sem palavras, era espantoso pensar, mas Charlie às vezes se envergonhava. Parece que todos possuem um segredo ou um ponto fraco, até o Sr. Hollywood.
- Eu te amo, você me ama – continuo Dry - que coisa mais meiga, não acha? – dizia num tom sarcástico - e agora?
- Agora a gente se ama pra sempre - olhou com seu olhar galanteador, e começou a rir.
- Se fosse depender do seu amor, preferiria investir na proteção à camada de Ozônio, aliás, não sei como alguém pode te amar... chato.
- Tão chato que chego a ser agradável - e lhe deu um selinho, logo após, um grande beijo.
Nos intervalos dos beijos Dry disse:
- Sabia que eu gosto de ser a única ou eu já disse isso?
- Sei sim - retribuia seu beijo. – e você já disse isso, sou seu único chato e não diga que não.
Dry sorriu. Empurrou para trás os cabelos de Charlie. Algo no seu interior pedia para ser compartilhado, algo estava fora dos plabos
- Eu gosto de você - disse Dry, olhando para Charlie, com os rostos perto um do outro.
- Eu também gosto muito de você, Dry - olhava o rosto de Dry desde os olhos até a boca.
Dry começou a pegar lentamente nos cabelos de Charlie, e fazia carinho em sua nuca.
- Gosta... como eu gosto? - apoiou a cabeça no ombro direito de Charlie.
- E como você gosta? - disse Charlie, segurando-a ainda em seus braços.
- Gostar... mais que amigos...
- Eu também gosto, Dry... - disse Charlie, olhando para frente.
- Nem parece - disse bem baixinho, enquanto levantava o rosto e se afastara um pouco de Charlie - eu tenho que ir agora.
- Não parece? - disse Charlie meio sério.
- Não - deu um sorriso amarelo - eu to envergonhada.
- Ah que isso, Dry - disse Charlie enquanto segurava na mão direita de Dry.
- Você quer ser só meu amigo, né? –
- Não, Dry. Eu gosto muito de estar com você - olhou para baixo e voltou olhar para Dry - eu só não quero assumir um compromisso sério.
- O.k... até amanhã - disse se afastando de Charlie, enquanto sua mão deslizasse das dos dedos de Charlie lentamente.
O silêncio foi às palavras de Charlie, enquanto a olhava Dry de costas indo pela rua.
Chegando em casa , Dry se atirou em sua cama, pondo a almofada na cara. Não estava a ponto de chorar, mas estava muito decepcionada.
- NÃO ACREDITO! – gritava repetitivamente Dry, atirando tudo que via pela frente - Será que eu perdi a cabeça ou algo?!
Apesar de ter sentido algo por Charlie, seus sentimentos voltaram a estaca zero. Seu coração estava gelado de novo, não chorava, nem estava triste, só estava chateada por ter se desviado de seus pensamentos em relação a Charlie. Ficou pensando na cena durante horas, passou a noite vendo filmes na TV à cabo.

Posted by Andressα @ 19:01
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